Pirenópolis - Minhas Impressões

Uma das cachoeiras da Fazenda Bonsucesso, em Pirenópolis (foto: Rafael)

É sempre bom fazer uma viagem curta e sair um pouco da cidade onde estamos. Dá uma sensação de férias, e é uma grande higiene mental. Eu, minha namorada e mais um casal amigo fomos a Pirenópolis, no fim de semana passado, justamente com esse objetivo. A cidade é conhecida por sua herança histórica e cultural, passeios ecológicos e boa infraestrutura de pousadas, restaurantes e bares. Não chega perto de uma Tiradentes, mas é bem simpática, bonita e acolhedora.

Os Restaurantes

Vamos começar pelos problemas. A proximidade com Brasília (cerca de 120 km), infelizmente, tem forte influência sobre os preços praticados, que nada ficam a dever à capital federal. Até o acesso às cachoeiras é cobrado, e não é exatamente barato. Até aí, tudo bem. Afinal, elas se encontram em propriedades particulares. E se isso for uma maneira de explorar o recurso ao mesmo tempo em que estimula a preservação, tá valendo.


A "rua do lazer". Cuidado com as armadilhas para turistas (fonte)

Menos nobres são as "armadilhas para turistas", como muitos dos restaurantes "transados" da cidade. Vale pesquisar bem antes de se decidir por um. O problema não é tanto o preço em si, mas o benefício obtido. Muitas vezes paga-se caro por muito pouco. E eu, como mineiro, detesto "miserê". Cobrar caro, ok. Mas sirvam porções satisfatórias! Um bom exemplo desse problema é o restaurante Caffé Tarsia, localizado na tal "Rua do Lazer". A conta lá não foi extorsiva - foi pornográfica. O equivalente a um Porcão, basicamente por pratos de massa. O meu pedido foi uma piada (de mau gosto)... Quase 30 reais por uma lasanha de 3 cm de altura por uns 13 cm de lado. A cerveja, aquela droga de Backer, e a sete reais a garrafa! Junte a isso o couvert artístico, e a conta bate facilmente em uns 70 reais por cabeça. Devia ter ido ao Porcão! Pelo menos o show compensou. Valeu cada centavo do couvert. Minha recomendação é que você jante e coma em outro lugar, e só depois disso vá para lá, apenas para ver os shows da casa, que são realmente top de linha. Fique bebericando um refri ou uma água mineral. Afinal, nós somos turistas, mas não somos trouxas, não é mesmo?


Pirenópolis (fonte)

Outro restaurante problemático da tal rua do lazer é o tal de Trotamundus, que gaba-se da sua "pizza quadrada". O lugar não é muito agradável, e fomos bem mal atendidos. Após servir a primeira rodada de cerveja (eles têm apenas as famigeradas longuinéquis), a atendente já foi pressionando para fazermos o pedido. Diante da negativa, simplesmente esqueceu da gente. Depois de uns 20 minutos de copos vazios, desistimos de esperar e fomos embora. A impressão que tive é que era esse mesmo o objetivo. Fico pensando se todos os restaurantes da Rua do Lazer seguem a mesma cartilha, encarando os turistas apenas como uma fonte de lucro fácil. Comigo, não. Comigo tem que rebolar.


Pirenópolis (fonte)

Bem diferente desses acima é o Ô Xente, Uai, que fica depois da ponte de madeira. É um nome idiota, concordo. E a "decoração" é de empalidecer um frade de pedra. Especialmente uma certa palmeira fálica. Não que isso tenha muita importância. O que vale é que as porções são fartas (suficientes para um casal se empanturrar), há cervejas 600ml de várias marcas, e a conta é honesta. Ou seja, você paga pelo que foi servido, com justiça. A especialidade da casa é um mix de comida mineira e goiana. As atendentes são de uma simpatia e atenção ímpar. Ficamos fãs delas. O único ponto realmente negativo é a música ao vivo, alta demais e que nunca sai do que há de mais trivial na MPB. Sabe como é, o velho esquema "Chão de Giz" e afins. Pior é que tinha um cliente mala que ficava gritando "TOCA RAUL!" sem parar. Sério. "Toca Raul" o c***lho! Mas o restaurante tem mesas no quintal, na parte de trás, o que permite ficar longe do barulho, aproveitando a tranquilidade sob as árvores. Optamos por ir para lá, antes que o cantor ameaçasse atender aos pedidos.


Pirenópolis (fonte)

Outro lugar que eu gostei foi o Empório Santa Dica, próximo à ponte de pedra. O lugar está mais para bar do que restaurante, e é bem simpático, com mesinhas sob as árvores. O clima aconchegante era fornecido pela tênue iluminação de velas. O cardápio, bem variado. Havia um buffet de caldos (de feijão, verde, vaca atolada, etc), espetinhos assados na churrasqueira, e até mesmo um self-service de fondue de chocolate, onde você tem liberdade para escolher as frutas que deseja. Mas a especialidade da casa são as pizzas. Eu não cheguei a pedir alguma, lotado como ainda estava com o almoço no "Ô Xente, Uai". Mas elas são gigantescas, com grande fartura de ingredientes, e pareceram bem apetitosas. Não escaparão na próxima vez. De resto, música ao vivo com o trivial arroz-com-feijão da MPB. Tédio. Não entendo como as pessoas ficam tão animadas em sempre escutar a mesmíssima coisa, sempre, sempre e sempre. Pelo menos acabou a moda de cantar "Atirei o pau no gato" ao som de Pink Floyd.

As Cachoeiras

Ficando apenas um final de semana, e sem conhecer muito da região, optamos por passeios menos complicados. No sábado, fomos nas cachoeiras da Fazenda Bonsucesso. Preço, dez reais por pessoa. São sete cachoeiras espalhadas ao longo de uma trilha de aproximadamente um quilômetro e meio. A trilha é moleza, mas os últimos dois trechos são mais íngremes e podem ser complicados para crianças pequenas, pessoas mais velhas ou com dificuldades de locomoção. Olhe sempre onde for pisar, pois as vacas de lá parecem ter diarréia constante. Falta de fibras, eu presumo. As sete cachoeiras são variadas, para todos os gostos, mas a proximidade da cidade atrai muito farofeiro. Recomendo chegar cedo (antes das 10:00) e picar a mula quando o movimento começar a aumentar. A fazenda conta ainda com restaurante próximo, mas não me interessei.


Uma das várias cachoeiras da Fazenda Bonsucesso (foto: Rafael)

No domingo animamos em ir mais longe, nas cachoeiras Renascer e Araras, que ficam a cerca de uns 17 km de Pirenópolis. Dé real tamém. A Araras é outro point farofa. Por ser muito próxima do local de parada do carro - apenas 200 metros - atrai a grande maioria dos nossos "atléticos" cidadãos. Depois perguntam porquê a obesidade virou epidemia! A Araras é bonita, mas bem lugar comum, e tem a vantagem de possuir uma boa infraestrutura, com banheiro, cadeiras e barraquinha de comes e bebes. Como nosso objetivo era justamente ficar longe de tudo isso, optamos por ir à Renascer. Compensou. A trilha é bem bonita, embora pareça, a princípio, não ir a lugar algum. O único senão é que é mais curta do que gostaríamos. Em cerca de meia-hora chegamos na Renascer. Apesar de curta, é bom não descuidar do calçado, pois há muitas pedras soltas e pontos escorregadios. Use sempre um bom tênis. Encontramos na volta umas patricinhas com sandalinhas de passear em shopping (douradas, com brilhantes... deu para ter uma idéia da falta de noção), iniciando a trilha. Não devem ter durado muito. As sandálias e os dedões localizados acima delas.


Renascer: Lá em cima, rapel. No meio, uma
gigantesca colmeia de abelhas.
(foto: Rafael)

A Renascer em si é pouco mais do que uma série de tobogãs suaves. Mas é muito bonita, inclusive com piscinas cristalinas de correnteza lenta, onde é possível nadar sem preocupações. Há também um paredão onde pode-se fazer rapel. De fato, alguns bombeiros estavam lá praticando justamente essa modalidade. Mais intimidador que a altura em si era uma gigantesca colmeia que ficava justamente no caminho da corda por onde desciam os sujeitos. Mas eles não pareciam muito preocupados. Apesar da cachoeira ser bem menos frequentada do que a Araras, vale o conselho de sempre: chegar cedo. Por volta de 11:00, começa a aumentar o movimento, e lá se vai a tranquilidade.

As cercanias de Pirenópolis têm muito mais a oferecer em termos de passeios ecológicos, do que nossas tímidas tentativas. Pode acreditar. Vale pesquisar de antemão para saber o que mais lhe agrada ou se encaixa na sua janela de tempo. Os passeios acima são razoáveis para quem está com pouco tempo e não quer muita complicação. Mas da próxima vez vou querer algo mais desafiador. Qualquer outra decisão seria um desperdício de material.

A Pousada


A Pousada Walkeriana

Ficamos numa ótima pousada, a Walkeriana. Localizada em belo e amplo casarão estilo colonial, ela fica perto de tudo, inclusive dos principais pontos de lazer da cidade. Os quartos são espaçosos e ventilados. O proprietário é dono de um antiquário, e os quartos da pousada refletem isso: os móveis são antigos e charmosos, e muitos estão à venda. Há uma varanda privativa na parte de trás de cada quarto, onde é possível pendurar uma rede e relaxar. Há estacionamento próprio e piscina aquecida. O café da manhã é honesto e variado, e a diária é aceitável - R$165,00 por quarto de casal. O único ponto decepcionante foi o chuveiro, um modelo elétrico de baixo custo, que ficava falhando com alguma frequência. Pelo nível da pousada, podiam ao menos instalar um chuveiro mais potente.


Mapa das atrações da cidade

Enfim, na falta de uma Tiradentes ou de uma Parati, Pirenópolis é uma substituta digna para um final de semana divertido e relaxante. É um bom destino para ecoturistas em busca de aventura, ou casais procurando um final de semana romântico. Se estiver em Brasília, não deixe de dar um pulinho lá. Principalmente se for inverno. Não irá se arrepender.


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Para saber mais:


6 comentários:

Anônimo disse...

Tem um bar/restaurante chamado "Trilha Zen" que é bem legal. O hamburguer de picanha (no prato com uma saladona acompanhando) é imenso e imensamente gostoso. O preço é normal. Mas há restaurantes que começaram bem, como o "Le Bistrô", agora estão muito "metidos", caríssimos. Se voltares a Pirenópolis, vá num fim de semana que não seja perto de feriados. Aí haverá menos brasilienses e a cidade estará mais respirável.

Anônimo disse...

Pôxa cara assim fica difícil dar crédito...
A cidade é boa "mas não chega nem aos pés de Tiradentes...", os restaurantes são bons "MAS"... aquilo até q serve "MAS"...
Tudo tem algum defeito...
Eu adoro Piri, adoro a Pizzaria Trotamundus (sem "Mas"...). Realmente ir p/ Piri é um exercício desestressante MAS p/ curtir de verdade tem que se deixar a cidade grande p/ trás... entender um pouco mais o local... interagir com ele. É claro que criticas construtivas sempre ajudam a melhorar, afinal Piri ainda é bem nova nessa questão de exploração do turismo (e assim deve ser, do turismo e não do turista). ADORO PIRI...
ah, e vale a dica do comentário anterior, se puder, vá à Piri nos dias menos movimentados, rola mais exclusividade.

José Guilherme Wasner Machado disse...

Prezado Anônimo, eu sempre "deixo a cidade grande para trás". Pena que os empresários de Pirenópolis não façam o mesmo. Sou de Minas e de interior eu entendo. Interior, entre outras coisas, é fartura, preço justo e simpatia. Não miserê, exploração e narizes torcidos, como vi em muitos dos restaurantes de Piri.

Vou repetir: paguei o preço de um Porcão por dois chopes e uma lasanha que cabia na palma da minha mão. Espírito predatório de "Cidade Grande" é isso aí.

Mas nesse ponto, Tiradentes também tem muito desse mesmo defeito. Ainda que Tiradentes seja muito superior à Pirenópolis em quase todos os quesitos.

Piri é muita boa, gostei da minha ida lá, não é à tôa que meu texto tem muito mais elogios do que críticas. Mas ela tem defeitos também, e não vou ficar olhando pro outro lado só para ser "gente boa". Desculpa, mas não nasci pra Pollyana.

Enfim, minha opinião é essa aí. Para mim, avaliar uma cidade não é o mesmo que torcer para time de futebol..

Abraços!

José Guilherme Wasner Machado disse...

Prezado Anônimo 1 (o primeiro acima): Obrigado pelas dicas!

Abraços!

Anônimo disse...

Bem , sou de Brasília e gosto de ir a Piri descansar de vez em quando.Conheço alguns restaurantes na cidade e concordo com o comentário sobre preçoXquantidade e acrescento mais: pelo preço de alguns a qualidade fica também a desejar como o que vi no Le Bistrô. O que vejo é que Piri precisa de qualificação de mão de obra local pois a cidade tá pedindo gás e nós de Brasília somos muito exigentes pelo que nos é oferecido aqui. Viajo muito, vou a Trancoso, Morro de São Paulo, etc... e qdo conhecemos lugares com um nível melhor não compreendemos por que os outros não podem acompanhar. Quem conhece A Chapada do Veadeiros , em especial a Pousada Casa das Flores, sabe do que estou falando pois aquilo é que é qualidade de atendimento , conforto e ainda tem um belo cardápio . Fica aí minha opinião.

Anônimo disse...

concordo plenamente com o comentário acima, principalmente com relação a certos estabelecimentos que se colocam no patamar de alta gastronomia. Tive a infelicidade de jantar no segundo dia da minha lua de mel no restaurante LE BISTRO, onde eu e meu marido jantamos um prato requentado, pagamos um valor altíssimo e já saímos de la passando mal, tivemos infecção alimentar, e que interrompeu e acabou com nossa lua de mel.
Diante disso, me senti na obrigação de avisar a proprietaria do ocorrido, a qual me desrespeitou, ironizou e insinuou que tinha passado mal em algum hotel de baixa categoria (estava hospedada no hotel Cavaleiro dos Pirineos)
DEIXO AQUI O MEU RECADO, TOMARA QUE A VIGILÂNCIA SANITÁRIA JÁ TENHA TOMADO ALGUMA PROVIDÊNCIA!!!!

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