A Game of Thrones (A Guerra dos Tronos)

Sean Bean é Eddard "Ned" Stark na adaptação televisiva de A Game of Thrones

Muitos - eu, inclusive - ficaram surpresos com o anúncio de que a HBO iria produzir Game of Thrones, uma série de fantasia e de ambientação medieval. Conhecida por suas produções adultas, controversas e pouco usuais, onde o sexo e a violência são abordados sem rodeios, o tema "fantasia", de alguma forma, não parecia se encaixar no perfil da emissora. Nada poderia ser mais enganoso.

Game of Thrones adaptará para a televisão o universo ficcional de A Song of Ice and Fire, do escritor George R.R. Martin. O nome da série televisiva deriva do primeiro volume, A Game of Thrones (ou A Guerra dos Tronos, na edição brasileira). Acredite quando eu digo: não estamos falando de Narnia ou de Harry Potter aqui. Se você estava pensando em dar esse livro ao seu filho púbere, imaginando uma alegre aventura de capa ou espada, ou, quem sabe, algo mais sério e maduro, mas sem contra-indicações, como um O Senhor dos Anéis, é bom pensar novamente. O tom de A Song of Ice and Fire é pesado, violento e sexual, sem concessões ou pudores. São livros voltados exclusivamente para o público adulto.


O teaser da série

Ainda que a HBO amenize as gráficas passagens sexuais do texto original - eliminá-las não será possível, já que muitas delas são fundamentais à trama - fatalmente precisará fazer adaptações para o formato televisivo. Um dos abacaxis que a emissora terá que descascar diz respeito à tenra idade de vários protagonistas. A Game of Thrones - o único livro de A Song of Ice and Fire que li até agora - leva a sério o cenário de inspiração medieval. Isso significa um número razoável de personagens adolescentes envolvidos em atividades inapropriadas, imorais ou mesmo ilegais na sociedade atual. Como a mera sugestão de uma adolescente de 13 anos transando seria inaceitável para o pudico e conservador público norte-americano, minha opinião é que a HBO preferirá não correr riscos, escalando um elenco menos pubescente para os papéis mais controversos, e omitindo a idade dos personagens. Pelas fotos do elenco, parece que o caminho adotado será esse mesmo.

 A versão nacional de A Game of Thrones

A História (sem spoilers)

Apesar de seguir diferentes linhas narrativas, A Game of Thrones, o primeiro volume de A Song of Ice and Fire, gira principalmente (mas não exclusivamente, como veremos adiante) em torno do destino dos diversos membros da Casa Stark, senhores de uma gelada província situada no extremo norte do reino. Comandada pelo patriarca Eddard Stark, a vida relativamente tranquila da família sofre uma brusca reviravolta quando o rei Robert, velho amigo de Eddard, resolve fazer uma visita a Winterfell, a ancestral fortaleza que serve de lar aos Stark. Robert não está ali apenas a passeio. Beberrão e farrista, o Rei está de saco cheio com a infindável burocracia que o seu nobre cargo exige. Ele deseja que Eddard cuide desses pormenores em seu nome, assumindo o papel de "Mão do Rei" - uma espécie de administrador por procuração. Com isso, Robert estaria livre para cair na esbórnia, ainda mais do que já vinha fazendo, para desespero do fígado real.

Lena Headey interpreta Cersei Lannister, uma das antagonistas da Casa Stark

Para Eddard, a perspectiva é menos agradável. Ser Mão do Rei é, sem dúvida, um cargo de poder e prestígio. De fato, ele seria o mais poderoso representante do reino, logo abaixo do rei. Mas precisaria trocar seu lar e o convívio com a amada esposa pelas intrigas e maquinações políticas da corte. Uma idéia que o honesto e franco Eddard abomina. Não ajuda, tampouco, o fato de pesarem fortes suspeitas sobre o abrupto falecimento da "Mão" anterior. Apesar dos pesares, a lealdade ao amigo e o dever para com o reino falam mais alto, e Eddard resolve aceitar o cargo. Logo ele descobrirá que seus piores receios não são nada perto da realidade.

  Tyrion (Peter Dinklage), um dos personagens mais interessantes, é lançado numa cela.

Paralelamente aos destinos da Casa Stark, o livro relata outros acontecimentos, que terão impacto maior nos próximos volumes. Há o funesto reaparecimento de uma ameaça ancestral, que colocará o reino em grande perigo. Também acompanharemos de perto os rumos dos últimos membros da dinastia Targaryen, antigos governantes brutalmente despojados do trono por Robert e seus amigos. Apesar de viverem em negra miséria no exílio, amparados pela boa vontade alheia (nem um pouco desinteressada), eles não estão dispostos a desistir do seu legado sem lutar. Mas a busca desesperada pelo poder pode levá-los a percorrer estranhos e perigosos caminhos.

 Eddard enfrenta as intrigas palacianas

A Song of Ice and Fire se tornou um grande sucesso de público. Quase onze milhões de exemplares já foram vendidos e a série é atualmente traduzida em mais de 20 línguas. De sete volumes previstos, quatro já foram publicados. O autor também escreveu alguns prequels e algumas novelas derivadas. Aqui no Brasil, foi lançado apenas o primeiro volume, mas o segundo deve chegar agora em fevereiro ou no mês de março. Após ler o primeiro livro, A Game of Thrones, entendi algumas das razões por trás de tamanho interesse. Apesar do livro começar morno, a história logo captura o espectador e não o larga mais. Devorei as quase 600 páginas em pouco mais de uma semana, e lamentei não poder seguir direto para o segundo volume. Certamente não se trata de um O Senhor dos Anéis. Não há aqui o mesmo carisma dos personagens ou o encantamento que a Terra Média e suas diferentes culturas e história oferecem. Não há a riqueza e o detalhamento tão duramente lapidados, durante décadas, por Tolkien. Não há aquela fábula de nobreza e sacrifício que conquistou gerações de fãs. O universo de A Song of Ice and Fire é mais sujo, mais mesquinho, mais vil. Até diria, mais humano. É, sobretudo, mais realista. A realpolitik permeia o livro, e os poucos idealistas são impiedosamente punidos por sua ingenuidade. Não sei se a série terá a mesma longevidade e o alcance universal da obra máxima de Tolkien, mas isso não importa muito, realmente. São animais diferentes, cada um deles fascinante à sua maneira. Comparações diretas simplesmente não têm nenhum sentido, e quem deseja um substituto para Tolkien irá se decepcionar, com certeza. Quem mantiver os pés no chão, todavia, pode encontrar aqui um entretenimento de ótima qualidade. Pelo visto, foi o que cativou a HBO, e melhor recomendação do que essa eu não posso imaginar.

O primeiro episódio de A Game of Thrones irá ao ar em 17 de abril.

Sansa Stark (Sophie Turner) passeia com seu animalzinho de estimação.

O Rei Robert (Mark Addy) faz uma visita a Winterfell

O treinamento não é fácil na Muralha

Os Stark seguem o lema dos escoteiros mirins: sempre preparado!

Nikolaj Coster-Waldau é Sor (uma corruptela de Sir) Jaime Lannister, irmão de Cersei e Tyrion

 A capa da edição nacional do segundo volume de A Song of Ice and Fire

2 comentários:

Anônimo disse...

Realmente este livro capitura nossa mente e nos leva aos limites da imaginação (obrigação de um otimo livro). Ja estou na metade do primeiro e na espera do 3°, 4° e 5° pois o segundo ja estou a procura. É um livro espetacular e com uma escrita "adulta" não muito fantasiosa, cheia de reviravoltas e novas descobertas a cada virada de pagina, um diamante da leitura moderna.

Marcio

Anônimo disse...

uma coisa que me chamou muita atençao no livro é que mostra um pouco a realidade,a busca pelo o poder as pessoas passando uma por cima da outra ...é realmente muito bom o livro,estou a espera de tormenta das espadas fiquei sabendo que robb stark morre.quero logo que chegue o ano que vem a 2temporada da serie

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